Hepatite B: condição é causada por vírus e pode ser assintomática 

Hepatite B: condição é causada por vírus e pode ser assintomática 

A hepatite B é um tipo de hepatite viral que causa inflamação no fígado. Essa condição é provocada pelo vírus HBV e pode ser transmitida principalmente pelo contato com fluidos corporais de uma pessoa infectada. A infecção, quando se torna crônica, pode levar a complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. Continue a leitura para saber detalhes das causas, formas de transmissão e como é o tratamento da condição.

Hepatite B: o que é?

A Hepatite B é uma doença infecciosa que afeta o fígado, sendo provocada pelo vírus da hepatite B (VHB). Ela pode se manifestar na fase aguda, com aparecimento de sinais e sintomas da inflamação hepática após 30 a 180 dias da infecção, e pode evoluir para a forma crônica (definida pela persistência do VHB por mais de seis meses após o momento da infecção).  

O risco de a infecção se tornar crônica é maior em pessoas mais jovens, principalmente em bebês com menos de um ano. Mais de 90% dos bebês infectados de mães com VHB replicante evoluirão com hepatite crônica. Quando a infecção pelo VHB ocorre na fase adulta, menos de 10% evoluirão para a hepatite crônica. 

A evolução da hepatite crônica pelo VHB é indolente e geralmente silenciosa, até o surgimento de como cirrose e câncer hepático. Dessa forma, é muito importante o diagnóstico da hepatite B e o tratamento antiviral quando indicado, a fim de prevenir a progressão da doença. 

Tipos de hepatite

A hepatite é uma condição caracterizada pela inflamação do fígado, que pode ser causada por infecções virais, uso excessivo de medicamentos, abuso de álcool e outras substâncias, além de doenças autoimunes ou genéticas. 

Veja abaixo os tipos de hepatite

Hepatite A

É a principal hepatite viral. Trata-se de uma infecção viral causada pelo vírus da hepatite A (VHA), usualmente transmitido por via fecal oral, frequentemente associada à falta de saneamento básico e práticas inadequadas de higiene.  
 
A transmissão também pode ocorrer por prática sexual com contato oro-anal. A infecção aguda é geralmente leve e autolimitada, e não evolui para doença crônica.  
Casos graves com hepatite fulminante podem ocorrer, principalmente em alguns grupos específicos, como gestantes e pacientes idosos. A hepatite A é imunoprevenível pela vacina contra hepatite A, vacina inativada altamente eficaz, recomendada para todas as pessoas a partir dos 12 meses de idade.

Hepatite B

Este tipo é o segundo mais prevalente e é transmitido principalmente por meio de relações sexuais e contato com sangue contaminado.

Hepatite C

É transmitida principalmente por meio do contato com sangue infectado. Caracterizada por sua alta taxa de cronificação, pode evoluir para condições graves como cirrose e câncer de fígado, sendo uma das principais causas de transplantes hepáticos.  
 
Assim como a hepatite B, a hepatite C geralmente não causa sintomas na fase aguda da infecção, e evolui de forma assintomática por anos, até o desenvolvimento das complicações da hepatite crônica pelo VHC. Assim, o diagnóstico é fundamental, e a disponibilidade atual de tratamentos antivirais altamente efetivos tornou a cura do HCV uma realidade. Não existe vacina para hepatite C. 

Além desses, existem dois tipos menos comuns de hepatite:

Hepatite D (Delta)

Por ser um vírus defectivo, a infecção pelo vírus da hepatite Delta (VHD) só ocorre em pessoas já infectadas ou simultaneamente infectadas pelo vírus da hepatite B.É a forma mais grave de hepatite crônica, com rápido desenvolvimento de cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. Sua transmissão é similar a hepatite B, sexual e parenteral, e a transmissão vertical é rara.

Hepatite E

O vírus da hepatite E (VHE) ocorre globalmente e está associado à transmissão fecal-oral, semelhante à hepatite A. Entretando, pode também ser transmitido por meio do contato com animais infectados e/ou produtos de carne crua desses animais.  
 
A maioria das infecções agudas são assintomáticas, com resolução espontânea, mas determinados grupos de indivíduos, como gestantes, idosos e imunodeprimidos, podem evoluir com doença grave e falência hepática.  
 
Embora usualmente não evolua para a forma crônica, pode evoluir para cronicidade em pacientes imunocomprometidos. A vacina para hepatite E, até o momento, está disponível comercialmente apenas na China e no Paquistão.

Como ocorre a transmissão da hepatite B?

Entre as principais formas de transmissão estão: relações sexuais desprotegidas com uma pessoa contaminada, contato com sangue contaminado, como no caso do compartilhamento de agulhas ou materiais perfurocortantes, e a transmissão vertical, em que a mãe infectada transmite o vírus para o filho durante o parto ou gestação. 

Além disso, embora hoje seja raro devido aos rigorosos testes de triagem, o vírus também pode ser transmitido por transfusões de sangue, caso o material não tenha sido adequadamente testado. No Brasil, a testagem obrigatória para hepatite B nos doadores de sangue e hemoderivados foi estabelecida em 1975. 

O uso compartilhado de objetos pessoais, como lâminas de barbear ou escovas de dente que possam estar contaminados com sanguetambém pode ser uma forma de transmissão.

Sintomas da hepatite B

Na maioria das situações, a infecção aguda pelo VHB não apresenta sintomas. Com frequência, a doença é descoberta apenas muitos anos após a infecção, quando surgem sinais relacionados a complicações dessa forma crônica da doença, como cirrose ou carcinoma hepatocelular. Nesses casos, podem surgir sintomas como cansaço, tontura, náusea e/ou vômitos, dor abdominal e icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), que geralmente aparecem apenas em estágios mais avançados da doença. 

A falta de sintomas nas fases iniciais dificulta o diagnóstico precoce da infecção.

Como é feito o diagnóstico da hepatite B?

O teste de triagem para a Hepatite B é realizado por meio da detecção do antígeno HBsAg, que pode ser feito tanto por teste laboratorial quanto por teste rápido.  

A sorologia para VHB está indicada, pelo menos uma vez na vida, para todos os indivíduos acima de 20 anos de idade, suscetíveis (não vacinados). No Brasil, a testagem da hepatite B (assim como da hepatite C, sífilis e HIV) pode ser solicitada por enfermeiros e outros profissionais habilitados a fim de se otimizar o acesso aos testes diagnósticos. 

A sorologia para hepatite B avalia diferentes marcadores; se o resultado indicar hepatite B, podem ser necessários testes diagnósticos complementares para confirmação diagnóstica, como a detecção direta do DNA do vírus (VHB-DNA) por teste molecular (carga viral do VHB). 

Além disso, o médico pode solicitar outros exames para avaliar o estado do fígado, como exames laboratoriais de função hepática e, em alguns casos, uma biópsia hepática ou exames de imagem, como a elastografia, para verificar se há sinais de dano hepático, como fibrose ou até cirrose. 

Indivíduos suscetíveis sem evidência de hepatite B e sem histórico de vacinação para hepatite B devem ser encaminhados para receber a vacina da hepatite B.

Tratamentos para a hepatite B

O tratamento da hepatite B varia conforme o estágio da doença e a gravidade da infecção. Em casos de hepatite B aguda, muitas pessoas se recuperam espontaneamente, sem necessidade de tratamento antiviral. Nesses casos, o foco é o controle dos sintomas, como dor abdominal, náusea e febre, e o acompanhamento médico para evitar complicações mais graves. 

Por outro lado, quando a infecção se torna crônica, o tratamento é necessário para controlar a replicação do vírus e prevenir danos no fígado. Os medicamentos antivirais reduzem a carga viral e evitam complicações como cirrose e câncer hepático, mas não curam a doença.  

A indicação de tratamento é baseada em critérios como carga viral do VHB, enzimas hepáticas e, em alguns casos, critérios clínicos e biópsia hepática. 

O acompanhamento regular é essencial, incluindo monitoramento da carga viral e da função hepática, além de exames para avaliar o estado do fígado. Em casos graves, como cirrose avançada ou câncer hepático, o transplante de fígado pode ser a única opção viável.

Formas de prevenir a hepatite B

A vacina contra a hepatite B é a principal forma de prevenção da infecção. Para os recém-nascidos e as crianças com até 7 anos de idade, o calendário de vacinação inclui quatro doses: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses, sendo que as últimas três doses são administradas como parte da vacina pentavalente. 

A partir dos 7 anos de idade, o esquema de vacinação consiste em três doses. Alguns grupos de pacientes, com menor chance de resposta a vacina, tem indicação de receber esquema vacinal com 4 doses com o dobro de volume indicado para a idade, como pessoas vivendo com HIV/Aids, pacientes nefropatas crônicos dialíticos ou pré-dialíticos e pacientes cirróticos. 

Além da vacinação, outras medidas preventivas são essenciais. O uso de preservativo em todas as relações sexuais é fundamental, assim como evitar o compartilhamento de objetos pessoais e equipamentos para o consumo de drogas, além de itens utilizados em tatuagens e piercings.  

A testagem de mulheres grávidas é extremamente importante para evitar a transmissão vertical, com indicação de profilaxia com imunoglobulinas anti-VHB (anticorpos) para crianças nascidas de mães com hepatite B, e uso de antiviral em gestantes em alguns casos.

Quando procurar por um médico?

Todo o indivíduo deve conversar com o seu médico sobre o resultado da sua sorologia para hepatite B e o seu histórico de vacinação para hepatite B.  

O diagnóstico precoce da hepatite B crônica, ainda na fase inicial, antes do desenvolvimento de cirrose e carcinoma hepatocelular, são fundamentais para prevenção de evolução desfavorável desses pacientes. 

A pessoa deve procurar um médico ao apresentar sintomas como cansaço excessivo, náuseas, dor abdominal, icterícia (amarelamento da pele e dos olhos).  

Para indivíduos suscetíveis, é importante consultar um profissional caso tenha sido exposta a fatores de risco, como contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas com pessoa infectada ou uso compartilhado de objetos pessoais.

Fonte: Dra. Ligia Pierrotti – Infectologista