Hemoglobina Glicada: como funciona o exame e onde fazer
O exame hemoglobina glicada traz uma visão de como o açúcar se comportou no sangue ao longo de meses, e não apenas no dia do exame.
Por isso, ele pode ser solicitado tanto para diagnosticar o diabetes quanto para acompanhar quem já tem a doença.
O que é hemoglobina glicada?
A hemoglobina glicada (HbA1c ou A1c) é a fração da hemoglobina, a proteína presente nas hemácias que transporta oxigênio pelo sangue, que se encontra ligada à glicose. Quanto maior a concentração de açúcar na corrente sanguínea ao longo do tempo, maior a quantidade de hemoglobina que se une à glicose.
Como as hemácias têm vida média de 90 a 120 dias, o exame de HbA1c reflete a média da glicemia ao longo desse período. É um histórico do controle do açúcar no sangue, não um retrato do momento, como a glicemia em jejum.
Essa característica torna o exame menos suscetível a variações pontuais: uma refeição farta na véspera, um dia de estresse ou uma gripe não alteram o resultado. O que o exame mostra é o padrão glicêmico dos últimos 3 meses.
Para que serve o exame de hemoglobina glicada?
O exame de hemoglobina glicada tem dois usos principais:
- Diagnóstico do diabetes e do pré-diabetes: a HbA1c é um dos critérios diagnósticos reconhecidos pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) para o diagnóstico de diabetes mellitus. Um resultado igual ou acima de 6,5% em duas coletas – ou em uma coleta associada a outro exame positivo – confirma o diagnóstico de diabetes. Valores entre 5,7% e 6,4% caracterizam o pré-diabetes;
- Monitoramento do controle glicêmico em quem já tem diabetes: para pacientes que já têm diagnóstico de diabetes, a HbA1c é o principal marcador do controle da doença em longo prazo. O objetivo terapêutico, na maioria dos adultos com diabetes, é manter a HbA1c abaixo de 7%, valor associado à redução de complicações microvasculares como retinopatia, nefropatia e neuropatia diabética.
Além desses dois usos, o exame também pode ser solicitado para:
- Rastreamento em pessoas com fatores de risco para diabetes, como obesidade, histórico familiar de diabetes, hipertensão e síndrome metabólica;
- Avaliação antes de cirurgias em pacientes com diabetes, para verificar o controle glicêmico no período pré-operatório;
- Investigação de alterações na glicemia em jejum.
Hemoglobina glicada: valores de referência
Os valores de referência da HbA1c são interpretados conforme a faixa de resultado:
Hemoglobina glicada normal
Abaixo de 5,7%: resultado dentro dos parâmetros normais. Indica que a glicemia esteve bem controlada nos últimos 3 meses, sem sinais de resistência à insulina ou comprometimento do metabolismo da glicose.
Hemoglobina glicada alta
Valores acima de 5,7% já merecem atenção. Mas existe uma diferenciação:
- Entre 5,7% e 6,4%: zona de alerta do pré-diabetes. Indica que a glicemia esteve acima do ideal nos últimos meses, mas não atingiu o critério diagnóstico do diabetes. Em parte desses pacientes pode haver evolução para diabetes, em outra, a HbA1c pode manter-se na faixa de pré-diabetes e em outa, ela pode normalizar, espontaneamente. Com mudanças no estilo de vida, alimentação equilibrada, atividade física regular e controle do peso, é mais provável haver a reversão desse quadro ou a progressão para diabetes ser retardada;
- 6,5% ou acima: critério diagnóstico de diabetes, confirmado em duas coletas ou associado a outro exame positivo.
Hemoglobina glicada baixa
Abaixo de 4%: valores muito baixos de HbA1c podem ocorrer em situações que aumentam a renovação das hemácias, como anemia hemolítica, sangramento agudo e após transfusões de sangue.
Nesses casos, o resultado não reflete com precisão o controle glicêmico real, pois as vida das hemácias pode estar alterada.
Para pacientes já diagnosticados com diabetes, a meta terapêutica costuma ser manter a HbA1c abaixo de 7%. Valores acima de 8% indicam controle glicêmico inadequado e exigem revisão do tratamento. Em alguns grupos, esse valor pode ser um pouco mais elevado ou um pouco mais baixo.
Importante: resultados alterados devem sempre ser interpretados pelo médico em conjunto com o quadro clínico e outros exames. Condições como anemia falciforme, talassemia e deficiência de ferro podem interferir nos resultados da HbA1c, fazendo-os subir ou cair de forma independente do controle glicêmico real. Conforme o método com o qual a HbA1c foi dosada, outros interfetentes podem alterar os resultados, inclusive medicações e suplementos.
Quando o exame de hemoglobina glicada deve ser realizado?
O exame de hemoglobina glicada é indicado em diferentes situações:
Para diagnóstico
- Pessoas com sintomas sugestivos de diabetes: sede excessiva, urina frequente, cansaço, visão turva, perda de peso sem causa aparente; no entanto, é preciso frisar, que, nesses casos, o exame de escolha para o diagnóstico é a glicemia de jejum, sendo a HbA1c complementar.
- Pessoas com fatores de risco, sobretudo as que têm obesidade, histórico familiar de diabetes, hipertensão e Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), entre outras;
- Adultos acima de 45 anos, como parte do rastreamento e prevenção de diabetes. Por exemplo, se detectado pré-diabetes, ja podem ser implementadas as medidas de mudança no estilo de vida, visando reverter esse quadro.
Para monitoramento
- Pacientes com diabetes tipo 1 ou tipo 2 bem controlados;
- Pacientes com diabetes fora das metas ou com ajuste recente no tratamento.
Nos dois casos, a periodicidade do exame deve ser determinada pelo médico assistente.
Após mudanças na medicação ou na dieta, para avaliar o impacto no controle glicêmico.
O exame não exige jejum. O único cuidado é informar ao laboratório o uso de todos os medicamentos e suplementos, pois podem interferir no resultado.
Onde fazer o exame de hemoglobina glicada?
Para consultar preços, localizar a unidade da Alta Diagnósticos mais próxima e agendar seu exame de hemoglobina glicada, basta clicar em agendar.
Fonte: Rosita Fontes



