Gordura Visceral: o que é, como perder, sinais e exames
Uma pesquisa da Fiocruz Brasília apresentada em 2024 sugere que, até 2044, três quartos dos adultos brasileiros terão obesidade ou sobrepeso. E um dos sinais desses quadros é a gordura visceral, um acúmulo de gordura na região abdominal que envolve os órgãos da região e aumenta o risco para doenças metabólicas e cardiovasculares. Embora muitas vezes invisível a olho nu, sua presença pode ser detectada por meio de exames específicos e requer acompanhamento médico para ser eliminada. Continue a leitura para saber mais sobre o tema.
O que é gordura visceral?
A gordura visceral é um tipo de tecido adiposo que se acumula na região abdominal. Diferente da gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, a gordura visceral é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que podem levar a sérios problemas de saúde, como problemas cardiovasculares e metabólicos.
Onde e como ela se acumula no corpo
Como o próprio nome diz, a gordura visceral se acumula nas “vísceras” — ou seja, entre os órgãos internos localizados na região abdominal, como fígado, intestino e pâncreas.
Esse acúmulo é formado quando o corpo armazena mais energia do que gasta e o excesso de calorias é armazenado nas células de gordura.
Diferença entre gordura visceral e gordura subcutânea
A principal diferença entre gordura visceral e subcutânea está na localização e na atividade metabólica. A gordura subcutânea fica logo abaixo da pele e serve como reserva de energia para o corpo; já a gordura visceral se localiza na cavidade abdominal, ao redor dos órgãos, e libera substâncias inflamatórias.
Além disso, a gordura visceral é mais difícil de ser eliminada do que a subcutânea.
Causas da gordura visceral
Vários fatores contribuem para o acúmulo de gordura visceral, incluindo:
- Dieta rica em açúcares e gorduras saturadas;
- Sedentarismo;
- Estresse crônico;
- Distúrbios hormonais;
- Tabagismo;
- Sono ruim ou insuficiente;
- Predisposição genética.
O envelhecimento também desempenha um papel importante, já que o metabolismo tende a ficar mais lento com o passar dos anos, facilitando o acúmulo de gordura no corpo.
Sintomas da gordura visceral
Embora não seja visível como a gordura subcutânea, alguns sinais podem indicar o excesso de gordura visceral, como:
- Aumento da circunferência abdominal;
- Resistência à insulina e alterações nos níveis de colesterol;
- Fadiga frequente;
- Dificuldade em perder peso;
- Alterações hormonais.
Diagnóstico e exames para gordura visceral
A análise da gordura visceral pode ser feita por exames específicos, que avaliam a composição corporal com precisão. Entre os principais e mais utilizados estão a bioimpedância, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.
Exame de bioimpedância: como funciona e o que avalia.
A bioimpedância é um exame não invasivo que mede a composição corporal por meio de uma corrente elétrica de baixa intensidade. O aparelho avalia a resistência dos tecidos, distinguindo o que é massa magra, gordura subcutânea e gordura visceral.
É um método bastante utilizado principalmente por nutricionistas e educadores físicos, já que é prático e rápido — mas menos preciso do que os exames de imagem.
Tomografia e ressonância magnética: precisão na medição.
A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são exames de imagem que detectam de forma mais precisa a presença da gordura visceral.
Os dois exames são capazes de fornecer imagens detalhadas da distribuição da gordura no corpo e ao redor dos órgãos, ajudando no diagnóstico e tratamento da condição.
Medição do nível de gordura visceral: análises clínicas.
Além dos exames de imagem, análises clínicas como dosagem de colesterol, triglicerídeos e exames como glicemia de jejum e curva glicêmica também servem para auxiliar o médico na hora de investigar e diagnosticar os efeitos da gordura visceral no metabolismo, como a resistência à insulina, pré-diabetes, diabetes mellitus e distúrbios no colesterol e triglicérides.
Como perder gordura visceral
A melhor forma de eliminar gordura visceral de forma eficaz é promover mudanças no estilo de vida visando eliminar o excesso de peso corporal. Algumas medidas incluem:
- Manter uma alimentação balanceada, com fibras, alimentos in natura, proteínas magras e gorduras saudáveis;
- Evitar alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras, sódio e açúcar;
- Praticar atividade física regularmente; estudos indicam que os treinos intervalados de alta intensidade (HIIT) são particularmente importantes para eliminar esse tipo de gordura;
- Manter noites de sono adequadas e gerenciar o estresse.
Vale dizer que o acompanhamento médico e nutricional é muito importante para direcionar o indivíduo na hora de introduzir novos hábitos em sua rotina.
Qual especialidade devo procurar?
Para avaliar e tratar a gordura visceral, é recomendado buscar um médico endocrinologista ou nutrólogo, que são especialistas capacitados a solicitar exames e orientar no tratamento para esse problema.
Além deles, o acompanhamento com nutricionista pode ser importante para o planejamento alimentar e mudanças de hábitos alimentares. Por fim, um educador físico também é importante para orientar no planejamento de atividades físicas.
Principais motivos para controlar a gordura visceral
Controlar e eliminar o excesso de gordura visceral é importante para manter a qualidade de vida e ainda reduz o risco de doenças crônicas — aumentando, assim, a longevidade.
Riscos associados: doenças cardiovasculares e diabetes.
A presença de gordura visceral aumenta o risco para doenças como:
- Diabetes tipo 2;
- Doenças cardiovasculares, como infarto, aterosclerose ou AVC (acidente vascular cerebral);
- Esteatose hepática (“gordura no fígado);
- Câncer de mama ou câncer colorretal;
- Problemas cognitivos, como Doença de Alzheimer;
- Apneia do sono;
- Queda de fertilidade.
Fonte: Dra. Cristina Khawali – Endocrinologista