Vacinas do calendário vacinal adulto (dos 20 anos à terceira idade)

Vacinas do calendário vacinal adulto (dos 20 anos à terceira idade)

Muitos pais cumprem à risca o calendário infantil, mas esquecem que a vacinação do adulto é igualmente importante. 

Os adultos têm um calendário vacinal próprio, com imunizantes indicados para cada faixa etária, e algumas doenças graves podem ser prevenidas exatamente por quem já passou dos 20, dos 40 ou dos 60 anos. 

O calendário vacinal do adulto é organizado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e atualizado anualmente. Ele leva em conta a faixa etária, o histórico vacinal e os fatores de risco de cada pessoa. Algumas vacinas são recomendadas para todos os adultos saudáveis; outras têm indicação específica para determinados grupos. 

A seguir, conheça as principais vacinas recomendadas para adultos na rede privada – com as indicações, o esquema de doses e a faixa etária de cada uma.

Vacinas recomendadas no calendário vacinal adulto

O calendário vacinal do adulto reúne vacinas que protegem contra doenças que podem ser graves em qualquer fase da vida. Algumas são recomendadas anualmente, outras exigem reforço periódico e algumas precisam ser tomadas apenas uma ou duas vezes na vida – desde que o esquema seja completo. 

Influenza (gripe)

vacina da gripe é recomendada anualmente para todos os adultos, independentemente da faixa etária. O vírus influenza muda a cada ano, por isso a formulação da vacina é atualizada regularmente para contemplar as cepas em circulação. 

Para adultos de 20 a 59 anos, a indicação é a vacina trivalente ou tetravalente. A partir dos 60 anos, a SBIm recomenda a vacina de alta dose (HD3V) – que oferece resposta imunológica mais robusta, já que o sistema imunológico tende a responder com menos intensidade com o avanço da idade. 

Hepatite A

A vacina da hepatite A é indicada para adultos não vacinados anteriormente e suscetíveis à doença, ou seja, que não tiveram hepatite A e não têm anticorpos protetores. O esquema é de duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas. 

Também existe a opção da vacina combinada de hepatite A e B, que pode ser administrada em três doses no esquema 0, 1 e 6 meses para adultos acima de 16 anos – uma alternativa prática para quem precisa se proteger contra as duas hepatites ao mesmo tempo.

Hepatite B

vacina hepatite B é indicada para todos os adultos não vacinados. O esquema padrão é de três doses nos meses 0, 1 e 6.  

A hepatite B é transmitida por via sexual e pelo sangue, e pode evoluir para cirrose e câncer de fígado quando não tratada. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção. 

Vacina tríplice bacteriana

vacina dTpa – que protege contra difteria, tétano e coqueluche acelular – é recomendada para todos os adultos a partir dos 20 anos como reforço a cada 10 anos. 

Para gestantes, a recomendação é ainda mais específica: uma dose de dTpa deve ser aplicada em cada gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do intervalo desde a última dose.  

Isso porque os anticorpos produzidos pela mãe são transferidos ao bebê ainda no útero, protegendo o recém-nascido nos primeiros meses de vida – período em que ele ainda não completou o esquema vacinal de 3 doses. 

Pessoas que trabalham ou convivem com recém-nascidos – como pais, avós e cuidadores – também devem estar com a dTpa em dia, para não transmitir a coqueluche ao bebê. 

Doenças pneumocócicas

Para adultos de 20 a 49 anos, a vacinação pneumocócica é recomendada apenas para pessoas com condições de risco aumentado – como cardiopatias, pneumopatias, diabetes, doenças renais, hepáticas e imunossupressão. 

A partir dos 50 anos, a indicação se amplia: a SBIm recomenda a vacinação a critério médico para adultos de 50 a 59 anos, e como rotina a partir dos 60 anos.  

O esquema preferencial para adultos acima de 60 é uma dose única da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20) – que cobre 20 sorotipos do pneumococo em dose única.  

Quando a VPC20 não estiver disponível, o médico pode indicar o esquema sequencial com VPC15 (ou VPC13) seguida da vacina pneumocócica 23-valente (VPP23), com intervalo mínimo de 2 meses entre elas. 

Vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)

vacina tríplice viral é recomendada para adultos não vacinados ou com histórico vacinal incompleto. O esquema é de duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. 

A vacinação é especialmente importante para adultos nascidos após 1960 que não receberam as duas doses na infância – período em que a vacinação era menos abrangente no Brasil. A vacina não é indicada para grávidas nem para pessoas imunossuprimidas, pois contém vírus vivo atenuado. 

A partir dos 60 anos, a tríplice viral não é recomendada como rotina – apenas para situações especiais, conforme avaliação médica. 

Meningites meningocócicas tipo B e ACWY

A vacinação meningocócica em adultos é recomendada para os não vacinados anteriormente, com esquema e indicações que variam conforme a faixa etária. 

Para adultos de 20 a 59 anos não vacinados, a SBIm recomenda duas doses da vacina meningocócica ACWY com intervalo de 5 anos, e duas doses da vacina meningocócica B com o intervalo definido conforme a vacina utilizada. A partir dos 60 anos, a vacinação é indicada para situações especiais de risco, conforme avaliação médica. 

Adolescentes e adultos jovens – especialmente universitários que vivem em repúblicas ou dormitórios – têm indicação específica de reforço com a meningocócica ACWY pelo maior risco de exposição nesse grupo.

Febre amarela

vacina febre amarela é recomendada para todas as pessoas vivendo em todo o território nacional desde 2020. 

A SBIm recomenda duas doses ao longo da vida: a primeira a qualquer momento, e a segunda 10 anos após – para quem recebeu a primeira dose antes dos 5 anos. Para quem se vacinou a partir dos 5 anos, a SBIm recomenda uma segunda dose 10 anos depois, pelo risco de falha vacinal.  

A vacina é de vírus vivo atenuado e está contraindicada para grávidas, imunossuprimidos e pessoas acima de 60 anos com comprometimento imunológico. 

Varicela

A vacina varicela (catapora) é indicada para adultos que nunca tiveram a doença e não foram vacinados. O esquema é de duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias. 

Adultos suscetíveis à varicela têm maior risco de desenvolver formas mais graves da doença do que crianças. Para quem já teve catapora na infância, a vacina da varicela não é necessária – mas a vacina herpes zóster é recomendada a partir dos 50 anos, pois o vírus pode se reativar e causar herpes zóster, popularmente chamado de cobreiro. 

HPV

A vacina HPV nonavalente (Gardasil 9) protege contra 9 tipos do vírus HPV – incluindo os tipos 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58, responsáveis pela maioria dos cânceres associados ao HPV, e os tipos 6 e 11, causadores das verrugas genitais. 

Para adultos de 20 a 45 anos não vacinados anteriormente, o esquema é de três doses nos meses 0, 2 e 6. A vacina é recomendada tanto para homens quanto para mulheres, pois o HPV está associado a cânceres de colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe em ambos os sexos.  

Acima dos 45 anos, o uso deve ser avaliado individualmente pelo médico.

Herpes zóster

A vacina herpes zóster é indicada para adultos a partir dos 50 anos – mesmo para quem já teve zóster, pois a doença pode se repetir. O esquema é de duas doses, com intervalo de 2 meses entre elas. 

O herpes zóster é causado pela reativação do vírus varicela zóster, que permanece latente no organismo após a catapora. Com o envelhecimento natural do sistema imunológico, o vírus pode se reativar e causar erupções cutâneas dolorosas, que em alguns casos evoluem para uma condição chamada neuralgia pós-herpética – dor intensa e persistente que pode durar meses ou anos. 

A vacina disponível no Brasil é a Shingrix – vacina recombinante inativada, que pode ser aplicada inclusive em pessoas imunossuprimidas a partir dos 18 anos em situações especiais, conforme avaliação médica.

Onde tomar as vacinas?

A Alta Diagnósticos oferece todas as vacinas do calendário vacinal adulto em suas unidades, com agendamento fácil e atendimento especializado.  

Para consultar preços, verificar a disponibilidade das vacinas e localizar a unidade mais próxima, basta clicar no botão para agendar. 

Fonte: Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectopediatra e médica consultora em vacinas