Baixa densidade óssea: o que é, causas, sintomas e tratamento

Baixa densidade óssea: o que é, causas, sintomas e tratamento

Baixa densidade mineral óssea (DMO) seria a redução do conteúdo mineral (especialmente o cálcio) e a deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, o que compromete a resistência esquelética e aumenta a suscetibilidade a fraturas.

Geralmente, esse processo é silencioso e progressivo, e decorrente do desequilíbrio entre a reabsorção e a formação ósseas ao longo do ciclo de remodelação óssea.

Siga a leitura e conheça os mecanismos envolvidos, os principais fatores de risco e as estratégias de prevenção e tratamento baseadas em evidências, com o objetivo de permitir a identificação precoce e a redução do risco de fraturas por fragilidade.

Baixa densidade óssea: o que é?

Denominada osteopenia em seu estágio inicial, a baixa densidade mineral óssea define-se como massa óssea inferior aos valores de referência de adultos jovens, sem, contudo, atingir o limiar diagnóstico da osteoporose.

A avaliação é realizada por densitometria óssea de dupla emissão de raios X (DXA) na coluna lombar e no fêmur proximal. E, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde, um T-score entre -1,0 e -2,5 desvios-padrão caracteriza a osteopenia, enquanto valores iguais ou inferiores a -2,5 definem a osteoporose.

O quadro reflete o processo em que a destruição óssea passa a ser mais intenso do que o de formação de novo osso, desequilibrando o ciclo natural de renovação dos ossos. O risco de fratura pode ser avaliado com mais precisão por meio de ferramentas que combinam fatores de risco do paciente com a medição da densidade óssea, como o índice FRAX.

Sintomas de baixa densidade óssea

A condição costuma ser silenciosa e o paciente não sente dor até que acontece uma fratura. Com frequência, a primeira manifestação é uma fratura por fragilidade, decorrente de trauma de baixo impacto ou de queda da própria altura.  

Em estágios mais avançados, fraturas vertebrais podem causar dor dorsal crônica, redução da estatura e cifose progressiva. 

Quais as causas da baixa densidade óssea?

A desmineralização óssea resulta da interação entre fatores não modificáveis e modificáveis. Entre os determinantes, destacam-se:

  • Envelhecimento, com perda óssea progressiva associada à idade; 
  • Deficiência estrogênica, sobretudo após a menopausa, que acelera a reabsorção óssea;
  • Sedentarismo e ausência de estímulo mecânico ao osso;
  • Tabagismo ativo, associado a aumento independente do risco de fratura;
  • Consumo de álcool igual ou superior a três doses diárias, fator de risco independente para fratura.

Somam-se a esses fatores a ingestão inadequada de cálcio e a deficiência de vitamina D, além de causas secundárias relevantes, como o uso crônico de glicocorticoides e determinadas doenças endócrinas e inflamatórias.

Baixa densidade óssea é genética?

Sim, a genética é um dos principais determinantes da massa óssea. Estima-se que a herdabilidade da baixa densidade mineral óssea (DMO) fique entre 50% e 80%, influenciando tanto o pico de massa óssea alcançado na vida adulta quanto o ritmo de perda subsequente.  

Estudos de associação genômica ampla (GWAS) já identificaram centenas de regiões do DNA associados à DMO e ao risco de fratura.  

Por isso, a história familiar de osteoporose ou de fratura – em especial a fratura de quadril em um dos genitores – constitui um forte indicador de predisposição e é incorporada à avaliação do risco de fratura. 

O que a baixa densidade óssea pode desencadear?

Quando não monitorada ou tratada, a baixa massa óssea pode progredir para osteoporose, condição em que a fragilidade esquelética eleva substancialmente o risco de fraturas – notadamente de quadril, vértebras e antebraço distal.

As fraturas por fragilidade, sobretudo as de quadril, associam-se a perda de mobilidade e de autonomia e a aumento da morbidade, da mortalidade e dos custos em saúde.

Tratamento para baixa densidade óssea

O tratamento visa estabilizar ou aumentar a DMO e, sobretudo, reduzir o risco de fratura.

As medidas não farmacológicas incluem exercícios de fortalecimento muscular e de impacto – protocolos de treinamento resistido de alta intensidade demonstraram melhora da DMO na coluna lombar e no colo femoral em mulheres na pós-menopausa com baixa massa óssea -, além de aporte adequado de cálcio e vitamina D, preferencialmente por meio da dieta, da cessação do tabagismo e da moderação no consumo de álcool.

Cabe destacar que, na população geral sem deficiência, a suplementação isolada de vitamina D não demonstrou reduzir o risco de fraturas em ensaio clínico de grande porte.

Nos pacientes com osteoporose estabelecida ou alto risco de fratura, indica-se tratamento farmacológico – incluindo agentes antirreabsortivos (bisfosfonatos, denosumabe) e, nos casos de risco muito elevado, agentes osteoformadores -, conforme as diretrizes da SBEM, sempre com decisão individualizada pelo médico assistente.

Fonte: Dr. Adriano Cury, endocrinologista