Autoexame de mama: como fazer e sinais de alerta

Autoexame de mama: como fazer e sinais de alerta

Com o autoexame de mamas, a mulher consegue identificar alterações suspeitas na região. No Brasil, o câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres (após o de pele não melanoma). Mas atenção: o toque não substitui a mamografia e/ou demais exames.  

Apenas exames de imagem conseguem detectar lesões milimétricas, antes de se tornarem palpáveis, garantindo um diagnóstico precoce e maiores chances de cura. 

O que é autoexame de mama?

O autoexame é um procedimento de observação e palpação das mamas realizado pela própria mulher. Ele não deve ser encarado como um exame diagnóstico, mas sim como uma prática de “alerta”. Conhecer a textura, a cor e o formato habitual das suas mamas é o que permitirá notar qualquer mudança atípica.

Como fazer o autoexame de mama?

O ideal é que o exame seja feito sem pressa. Siga estas três etapas recomendadas por especialistas:

Em frente ao espelho

Com o tronco nu, observe suas mamas em três posições: com os braços abaixados, com as mãos na cintura (fazendo pressão) e com os braços levantados atrás da cabeça. Verifique se há alterações no contorno, na pele ou nos mamilos, além de abaulamentos ou retrações locais.

Em pé

A palpação pode ser feita durante o banho. Com a pele ensaboada, levante um dos braços e use a mão oposta para examinar a mama. Utilize as polpas dos dedos para fazer movimentos circulares, de cima para baixo e do centro para fora, cobrindo toda a área mamária e as axilas.

Deitada

Deite-se e coloque uma toalha dobrada sob o ombro direito, com a mão direita atrás da cabeça. Repita os movimentos de palpação com a mão esquerda na mama direita e vice-versa. 

Quais são os sinais de alerta?

Durante o autoexame, fique atenta a qualquer um dos sintomas listados abaixo: 

  • Nódulos (caroços): fixos e geralmente indolores. 
  • Alterações na pele: retrações, vermelhidão ou aspecto de “casca de laranja”. 
  • Mamilos: inversão (mamilo para dentro) ou saída espontânea de líquido (de qualquer cor). 
  • Axilas: presença de pequenos caroços ou inchaços na região das axilas ou pescoço. 

A diferença entre cistos e nódulos mamários

É comum que mulheres sintam irregularidades ao tocar as mamas. Mas nem toda alteração é um tumor.

Cistos são cavidades preenchidas por líquido e costumam ser benignos, enquanto os nódulos são massas sólidas que exigem uma investigação mais criteriosa através de biópsias ou exames de imagem para determinar sua natureza.

O que fazer se encontrar um nódulo?

Ao notar qualquer alteração, o mais indicado é já agendar uma consulta com um ginecologista ou mastologista para uma avaliação clínica e solicitação de exames complementares. 

Mas tenha em mente: maioria dos nódulos mamários é benigna e só exige acompanhamento.

Quando fazer o autoexame?

O autoexame deve ser feito mensalmente:

  • Em mulheres que menstruam: entre o 7º e o 10º dia após o início da menstruação. 
  • Em mulheres na menopausa: deve-se escolher um dia fixo no mês.

Por que o autoexame não substitui a mamografia?

O autoexame detecta nódulos que já têm cerca de 1 a 2 centímetros. Já a mamografia digital é capaz de identificar microcalcificações e lesões milimétricas, muito antes de serem palpáveis.  

Portanto, o autoexame é um cuidado complementar, mas a mamografia e demais exames de imagem são insubstituíveis para o diagnóstico realmente precoce.

Exames de mama

Para garantir um diagnóstico preciso e seguro, os dois principais exames são:

Mamografia digital

Considerada o padrão-ouro no rastreamento do câncer de mama, a mamografia digital utiliza raios-X de baixa dose para gerar imagens detalhadas do tecido mamário.

É o único exame comprovadamente capaz de reduzir a mortalidade pela doença, pois identifica tumores em estágios iniciais, as chamadas lesões não palpáveis.

Ultrassonografia de mamas

Geralmente indicada como exame complementar à mamografia, especialmente em mulheres com mamas densas ou para diferenciar se um achado é um cisto líquido ou um nódulo sólido. Ela é ainda usada para guiar biópsias, caso sejam necessárias. 

Mas, em casos específicos, o médico ainda pode solicitar:

Ressonância magnética das mamas

Usada somente como rastreamento de mulheres com alto risco genético, naquelas que apresentam lesões duvidosas na ultrassonografia ou mamografia ou para avaliar a integridade de próteses de silicone. Oferece uma visão tridimensional detalhada sem o uso de radiação.

Tomossíntese mamária (mamografa 3D)

A tomossíntese é uma tecnologia avançada, mas indicada em casos muito particulares, como, por exemplo, na avaliação de mamas complexas, que são aquelas muito densas (bem mais tecido glandular que gordura).

Ela permite a visualização da mama em fatias milimétricas, proporcionando uma análise mais detalhada onde o tecido é muito firme. 

Vale ressaltar que, para a imensa maioria das mulheres, a mamografia digital continua sendo o exame padrão-ouro e insubstituível para o rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de mama.

Fonte: Dra. Adriana Bittencourt Campaner, Ginecologista